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Campeã paralímpica Evani sonha com mais oportunidade para mulheres na bocha

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Alê Cabral/CPB
Na bocha, homens e mulheres competem juntos no individual.

Na bocha, homens e mulheres competem juntos no individual.

A medalhista de ouro por equipes da bocha nos Jogos Rio 2016 Evani Calado contou na Live Paralímpica nesta terça-feira, 19, que sonha por mais oportunidades para mulheres na bocha. A Live aconteceu no perfil oficial no Instagram do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), @ocpboficial.

A transmissão deu sequência ao conjunto de ações feitas pelo CPB para todos os seguidores do esporte paralímpico durante o período de quarentena devido à pandemia do vírus Covid-19.

Atualmente, as regras da bocha não separam por gênero as disputas. Homens e mulheres competem entre si no individual. Já nas disputas por equipes, é obrigatória a participação de uma atleta.

“Eu sonho em termos uma Seleção feminina e uma masculina. A BISFed [Federação internacional responsável pela bocha] está estudando a possibilidade da realização de disputas individuais por gênero após os Jogos de Tóquio. Eu vibrei muito com a notícia, só de ter a possibilidade é um ganho enorme”, contou animada a campeã paralímpica por equipes BC3 nos Jogos Paralímpicos Rio 2016.

A bocha paralímpica é a modalidade mais inclusiva do paradesporto. Ela possibilita que atletas com maior grau de deficiência física, como paralisia cerebral severa e tetraplégicos, participem do Movimento Paralímpico.

Evani teve seu primeiro contato com a modalidade ainda na escola, quando um professor de Educação Física decidiu que não ia deixá-la sem a parte prática das aulas. “Ele me falou que não ia me dar a nota sem fazer nada. Me falou para pesquisar sobre a bocha, fazer um relatório e disse que a minha irmã iria me ajudar. Eu achei que ele estava ficando maluco. Ele levou um cano de PVC e bolinhas de tênis para aula e foi assim que joguei bocha pela primeira vez, de forma adaptada, claro”.

A jogadora ressaltou que a atitude do professor foi totalmente diferenciada e que iniciativas como a dele são muito importantes para a inclusão por meio do esporte. “Eu ficava na sala durante as aulas de Educação Física na escola, mas esse professor me fez sair de lá. Ele se importou e estava disposto a me incluir na aula. Atitudes assim fazem toda diferença”.

Anos mais tarde, durante a faculdade de Publicidade e Propaganda, Evani foi convidada a experimentar a modalidade novamente, dessa vez já em clube. “No começo não queria ir, minha mãe insistiu. Os treinos eram sábado de manhã, eu estudava à noite e queria dormir até mais tarde no fim de semana. Por insistência da minha mãe eu fui e depois não quis mais parar de treinar”.

No bate-papo, Evani relembrou o começo na modalidade e contou de onde veio seu primeiro kit de bocha. “No começo eu não tinha dinheiro para comprar um kit para mim, usava um emprestado da associação que treinava. O perdi uma vez, foi bem chato, e depois disso percebi que precisava de um próprio, até para não prejudicar outros atletas caso o perdesse de novo. O Dirceu me vendeu um kit para eu pagar quando pudesse, sem pressa. Ele tinha um coração muito bondoso”, contou com enorme carinho de como o tetracampeão paralímpico Dirceu Pinto, que faleceu no início do mês de abril em decorrência de problemas cardíacos, foi importante no seu início de carreira.

Esta foi a décima segunda live realizada pelo CPB neste período de isolamento social, sendo nove sobre natação paralímpica (confira aqui) e quatro da série Live Paralímpica, que além de Evani, contou com a participação de Petrúcio, Débora Menezes (parataekwondo) e Alana Maldonado (judô). Neste mês de maio também foi lançada uma série de lives em parceria inédita entre o CPB e o Comitê Olímpico do Brasil (COB), que na sua estreia contou com a participação de Petrúcio Ferreira, o atleta paralímpico mais rápido do mundo e o campeão Pan-Americano dos 400m com barreiras Alison Brendom, o Piu (confira aqui).

Na quinta-feira, 21, às 14h, será a vez do tênis de mesa paralímpico e olímpico se unirem na live entre o CPB e o COB com a participação de Paulo Salmin, campeão parapan-americano Lima 2019, e Bruna Takahashi, bronze nos Jogos Pan-Americanos de Lima. Ambos estão classificados para os Jogos de Tóquio.

A Live Paralímpica retorna na próxima terça-feira, 26, às 16h, com o medalhista mundial e campeão parapan-americano Lima 2019 no parabadminton Vitor Taravares.

Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)

www.cpb.org.br
Comitê Paralímpico Brasileiro

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