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Conheça 5 profissionais que ajudam os atletas com deficiência visual

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Divulgação/CPB
Montagem de quatro fotos. Cada uma de uma modalidade que conta com o apoio dos profissionais sem deficiência

Montagem de quatro fotos. Cada uma de uma modalidade que conta com o apoio dos profissionais sem deficiência

Os atletas com deficiência visual compõem uma parcela importante do Movimento Paralímpico. Na delegação brasileira dos Jogos Paralímpicos Rio 2016, dos 286 atletas convocados para o megaevento, 61 tinham deficiência visual.

Para apoiar os esportistas cujo sentido foi afetado, há profissionais sem deficiência que participam das mesmas disputas e têm o reconhecimento dos atletas cegos ou com baixa visão. Por isso, preparamos uma lista que apresenta cinco auxiliares de quatro modalidades paralímpicas. Confira:

Atleta-Guia

Nas últimas quatro edições de Jogos Paralímpicos (Atenas-2004, Pequim-2008, Londres-2012 e Rio-2016), os velocistas com deficiência visual conquistaram 49 medalhas, sendo 13 de ouro, 19 de prata e 17 de bronze. Para que parte desses resultados se concretizasse, os atletas com maior comprometimento visual contaram com o apoio de um atleta-guia.

Esse profissional é uma pessoa sem deficiência que corre ao lado do competidor. O atleta e o guia se conectam por meio de um acessório, que lembra uma corda. Cada um segura uma ponta e eles correm lado a lado. Nas provas de pista, esse acessório pode ter, no máximo, 30cm. Já nas provas de rua, no máximo, 50cm.

No atletismo, há uma diferenciação na nomenclatura das classes. As que são identificadas com a letra “T” de track (pista, em inglês) antes do número são para atletas que disputam provas de velocidade na pista ou na rua e salto em distância. Já as classes com “F” de field (campo, em inglês), identificam os atletas que competem em provas de campo: arremesso de peso, lançamento de dardo ou disco e salto em altura.

Os atletas com deficiência visual são divididos em três classes de acordo com o grau de comprometimento. Quanto menor o número, menos visão o competidor tem. Assim, a classe 11 contempla os que são cegos, a 12 os que possuem baixa visão severa e a 13 os que têm uma baixa visão mais leve.

Na classe T11, é obrigatório ter o acompanhamento de um atleta-guia. Já na classe T12, esse recurso é opcional e, na T13, não é permitido. Nas provas de campo, o apoio ocorre por meio de voz. Um chamador orienta a direção em que o atleta deve lançar ou arremessar.

O paulistano Rodrigo Chieregatto, 26 anos, é guia há oito. Ele começou no esporte ainda criança e inspirado por seu pai Carlos Alberto Arcanjo, que correu 19 São Silvestres, tradicional corrida de rua realizada em São Paulo na véspera de ano novo.

Em 2011, Rodrigo ingressou em um projeto de inclusão social de pessoas com deficiência visual. Inicialmente, era apenas auxiliar técnico, mas como faltavam profissionais, começou a atuar como guia. Nos Jogos Paralímpicos Rio 2016, acompanhou Terezinha Guilhermina na conquista do bronze nos 400m da classe T11.

“Guiar é uma mistura de emoções, medo, ansiedade, conexão. Mas é uma responsabilidade muito grande proporcionar a melhor performance do atleta. Tornou-se uma paixão e um engajamento auxiliar esses atletas com intuito de colorir de alguma forma os sonhos deles”, relatou Rodrigo, que atualmente guia a atleta Ketyla Teodoro e com quem faturou o bronze nos 400m T12 nos Jogos Parapan-Americanos de Lima2019.

A partir dos Jogos Parapan-Americanos de Gualajara 2011, os atletas-guias passaram a receber uma medalha também, como forma de ter reconhecido o trabalho deles como atletas.

Assista ao vídeo abaixo para conhecer um pouco mais o trabalho dos atletas-guias.

Tapper

De Atenas-2004 ao Rio-2016, os nadadores com deficiência visual subiram ao pódio quatro vezes para receber um ouro, uma prata e dois bronzes. Para garantir a segurança desses atletas há um equipamento denominado tapper, que é um bastão com uma bola de espuma na ponta.

Esta ferramenta é utilizada por um técnico para orientar os nadadores cegos ou com baixa visão em todas as provas que eles disputarem. Quando o atleta se aproxima da borda da piscina o profissional encosta o tapper nele para avisá-lo da chegada.

Na natação, a classificação para atletas com deficiência visual acompanha a mesma lógica que no atletismo. A letra “S” significa swimming (natação, em inglês). A classe S11 é para nadadores totalmente cegos, a S13 é para atletas que têm uma baixa visão leve e a S12 é para quem possui um comprometimento visual intermediário entre as outras duas classes.

Na classe S11, é obrigatório o uso do tapper. Já no caso da S12, na classificação oftalmológica, é identificado se há ou não a necessidade do recurso. Os nadadores que tiverem essa sinalização podem optar por ter o auxílio do tapper. Os atletas da classe S13 não podem recorrer a essa ferramenta.

“É uma função com uma responsabilidade gigantesca. Se a pessoa não estiver concentrada e atenta, qualquer erro mínimo pode custar uma medalha porque o atleta está brigando por uma diferença de milésimos de segundos. O trabalho do tapper pode ser decisivo entre uma medalha de ouro e uma de prata. Nós optamos por quem tem uma vivência maior, também uma confiança muito grande no que está fazendo”, explicou Felipe Silva, técnico da Seleção Brasileira de natação.

Goleiro

O futebol de 5 é uma modalidade praticada exclusivamente por pessoas com deficiência visual. Apesar de existir três classes para diferenciar o nível de ausência de visão dos atletas, no programa dos Jogos Paralímpicos estão inclusos apenas os atletas cegos.

A Seleção Brasileira de futebol de 5 é pentacampeã mundial e tetracampeão paralímpica e parapan-americana, A equipe verde-amarela foi a única a subir no degrau mais alto do pódio paralímpico desde que a modalidade foi inclusa no programa dos Jogos em Atenas 2004.

A classe desta modalidade é identificada da mesma forma que no goalball e no judô. A letra “B” no início significa blind (cego, em inglês). Em seguida, vem o número de 1 a 3 que representa o comprometimento visual do atleta. No caso do futebol de 5, apenas os atletas da classe B1 podem competir.

O time é composto por cinco integrantes: quatro jogadores vendados e um goleiro sem a deficiência. A bola possui guizos internos que fazem barulho quando a bola é movimentada. A quadra mede 20m por 40m e tem bandas laterais para evitar que a bola saia.

O paraibano Luan Lacerda, 27 anos, joga futebol convencional desde os oito. Em 2013, conheceu o futebol de 5 e logo foi convocado para a Seleção. “Mudou minha vida pessoalmente e profissionalmente. Eu me apaixonei e quis crescer no esporte. Passei a me dedicar à modalidade, mas não abandonei o convencional, até porque é importante para manter o ritmo”, disse o goleiro.

Para orientar os jogadores de futebol de 5, a quadra é dividida em três partes. No primeiro terço, onde fica o goleiro, é ele quem orienta os atletas da defesa. No centro, a responsabilidade é do técnico da equipe. Já no último terço, essa função é do chamador.

“Embaixo das traves, a experiência é semelhante [ao futebol convencional], mas o desafio de ser goleiro no futebol para cegos é que preciso ter mais reflexo e agilidade, pois os jogadores chegam muito perto para chutar no gol. Também tem a questão da orientação. A minha área é limitada, mas se eu ajudar bem a defesa, os jogadores vão fazer a parte deles e vai ter menos risco dos adversários chegarem ao gol”, explicou Luan, que foi campeão paralímpico nos Jogos Rio 2016.

- Chamador

No futebol de 5, há um outro auxiliar sem deficiência, conhecido como “chamador”. A função desse profissional é orientar os atacantes da sua equipe quando estão no último terço da quadra, a área ofensiva, para que eles tenham noção de localização e possam desenvolver o trabalho de finalização para fazer o gol.

O chamador costuma ser uma pessoa da comissão técnica. Ele fica atrás da trave do time adversário verbalizando orientações para seus jogadores. Enquanto o jogo estiver em andamento, o chamador não pode sair da sua posição e só pode circular na área de 3,66m que é o comprimento da trave do futebol de 5, que tem 2,14m de altura.

“Qualquer membro da comissão técnica pode ser o chamador, mas tem um perfil característico. Ser uma pessoa calma, cujo timbre de voz não seja alto, nem baixo. Falar com uma tonalidade tranquila para passar segurança aos atletas que está orientando. Conhecer as peculiaridades de cada atleta para saber como e quando informar a localização da trave adversária para ele chegar ao objetivo do gol”, explicou Edson Júnior, preparador físico da Seleção Brasileira de futebol de 5.

Durante as cobranças de penalidade ou tiro direto, o chamador não pode invadir a área do goleiro. Ele só pode bater com algum objeto na trave para que o atleta ouça a localização exata e saiba onde mirar.

“Tem que passar muita segurança para os atletas cegos e ter a confiança deles para ser um excelente chamador. Eu tento passar o máximo de tranquilidade para desenvolver as habilidades pessoais de cada um e contribuir para que nossa Seleção esteja sempre no top do pódio”, completou Edson, que foi goleiro de fut 5 e treina para ser o chamador da equipe brasileira.

Piloto

No ciclismo, os atletas com deficiência visual competem na categoria tandem, cuja bicicleta possui dois bancos e quadro pedais. O ciclista ocupa o banco traseiro, enquanto o piloto, que não possui a deficiência, assume a posição de guia no primeiro assento. Os pilotos também sobem ao pódio e recebem suas próprias medalhas.

“A função do piloto é guiar a bike no percurso e, fora da bike, ser uma boa acompanhante da atleta. Conversar e se conectar ao máximo que der com o atleta”, explicou Maria, pilota de Márcia Fanhanni.

A paranaense Maria Muller, 29 anos, pratica BMX (bicycle moto cross, em inglês) desde os quatro anos. Em 2017, começou a praticar provas de pista e conheceu a categoria tandem. Um ano depois foi convidada para experimentar a função de piloto.

“Na primeira vez, eu me senti tensa pela responsabilidade de guiar alguém, mas conforme eu fui conhecendo, fui ganhando confiança. É uma evolução constante. A experiência é muito gostosa, são duas cabeças, dois corações pulsando na mesma sensação”, relatou Maria.

Programa Loterias Caixa Atletas de Alto Nível

A atleta Ketyla Teodoro e o atleta-guia Rodrigo Chieregatto são integrantes do Programa Loterias Caixa Atletas de Alto Nível, programa de patrocínio individual da Loterias Caixa que beneficia 70 atletas e sete atletas-guia.

www.cpb.org.br
Comitê Paralímpico Brasileiro

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