Brigar por medalha

Após cirurgia no joelho, Fernando Reis investe em fisioterapia e treino funcional para brigar por medalha em Tóquio 2020

38.V

COB
Tricampeão pan-americano faz trabalho específico com equipe multidisciplinar do COB e reduz consideravelmente a diferença de força nas pernas

Tricampeão pan-americano faz trabalho específico com equipe multidisciplinar do COB e reduz consideravelmente a diferença de força nas pernas

Em novembro de 2018, no Turcomenistão, Fernando Reis vivia um dos momentos mais especiais de sua carreira ao conquistar um inédito quarto lugar no Mundial de Asgabate (categoria acima de 109kg). O halterofilista, porém, não teve muito tempo para comemorar o resultado. No mês seguinte, já de volta ao Brasil, o atleta encarou pela primeira vez uma sala de cirurgia. Com uma grave lesão no joelho esquerdo, Fernando precisou reconstruir o tendão quadricipital.

“Lembro muito bem de perguntar ao doutor Caio D’Elia quando fiz a cirurgia: ‘vai dar tempo de competir nos Jogos Pan-americanos?’ E ele me disse que não havia um parâmetro de comparação, porque não existia uma pessoa que levantasse tanto peso quanto eu nas Américas”, relembra Fernando, que sabia do prazo estimado para a calcificação do tendão: seis a oito meses. “E, em seis meses, eu estava ganhando o Pan”, conta, orgulhoso, o tricampeão do evento (Guadalajara 2011, Toronto 2015 e Lima 2019).

Apesar da conquista, o halterofilista ainda estava distante de sua melhor forma na capital peruana. E tinha consciência que a recuperação total exigiria mais alguns meses, não somente pela gravidade da lesão, mas também por sua composição física. Foi então que Fernando se aproximou de vez da equipe multidisciplinar do Comitê Olímpico do Brasil (COB).

“Em fevereiro deste ano, vim ao Laboratório Olímpico fazer medições pós-cirúrgicas e realizamos alguns procedimentos para ver a diferença de força entre as pernas. O resultado foi uma desproporção considerável, de 30%, entre a perna esquerda e a direita. Foi quando comecei a fazer muito trabalho de fisioterapia e fortalecimento”, explica o atleta de 30 anos, que vive atualmente em Miami (EUA).

Se por um lado Fernando mostrava receio quanto à plena recuperação, por outro passava a perceber que sua evolução no esporte não ocorreria somente através do aumento de volume ou intensidade dos treinamentos.

“Comecei a fazer um trabalho unilateral de fortalecimento das pernas. Foi uma atividade menos agressiva com as cargas do levantamento de pesos, e mais funcional. Trabalhamos os músculos pequenos para corrigir debilidades entre as pernas esquerda e direita. Foi algo diferente que apliquei no meu programa de treinamento, e estamos diminuindo esse gap”.

 Na última semana, Fernando Reis voltou ao Centro de Treinamento Time Brasil, no Rio de Janeiro, para realizar novos testes e analisar a efetividade do trabalho. Passados seis meses do início deste plano, os resultados indicam que o equilíbrio de força entre as pernas está cada vez mais próximo, com uma redução superior a 50% nesta desproporção. Isto foi possível, entre outras coisas, porque Fernando não precisou modificar a sua programação de treinos durante a pandemia.

“Houve algumas mudanças no protocolo de segurança, porém isso não alterou a minha rotina de treino. Fui um afortunado, tinha uma academia à minha disposição 24 horas por dia. Consegui treinar e me recuperar. Já estou 100% e, se os Jogos Olímpicos fossem realizados hoje, estaria preparado para competir. Como temos mais tempo de preparação agora, é polir para chegar muito bem, sem cometer erros, e conseguir pegar essa medalha”, finaliza.

www.cob.org.br
Comitê Olímpico do Brasil

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