Mundial de Budapeste FINA 2017

Bruno Fratus: “Queria ter umas 50 pessoas comigo no Pódio”

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CBDA/Divulgação

Budapeste/HUN — Bruno Fratus, segundo as próprias palavras, queria subir no pódio para ganhar a prata mundial dos 50m livre em Budapeste com “umas cinquenta pessoas”. O nadador que nos Jogos Rio 2016 foi sexto colocado na prova, volta à piscina de alto nível um ano depois para ser vice-campeão com o melhor tempo de sua vida, 21s27. No entanto, entre a multidão de rostos que segundo ele o auxiliaram na dura caminhada rumo a mais um pódio planetário, um se destaca, o da esposa e ex-nadadora Michele Lenhardt.

Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

— Eu trabalho muito. Eu não me considero um cara talentoso. Tem um pouco de talento sim, mas eu me considero um cara que trabalha pra caramba, que acorda todo dia cedo disposto a sentir dor e volta e descansa e se alimenta bem... eu não sou um cara muito religioso, mas Deus colocou a Michelle no meu caminho. Ela me faz ser um atleta melhor, um homem melhor todo dia e quando eu começo a duvidar de mim mesmo, quando as coisas começam a ficar difíceis, ela me bota pra cima, me dá bronca... Então tinha que subir umas 50 pessoas comigo no pódio hoje. A Olimpíada do Rio foi um pesadelo pra mim. Eu acordava pra viver um pesadelo porque eu sabia que não estava em condições de fazer o que eu fiz hoje. Há cinco ou dez minutos, antes de nadar a prova, eu queria nadar logo porque eu sabia que viria uma coisa boa. Não podia garantir que viria 21s2, mas está aí. O melhor tempo da vida. A Michelle estava me dando treino, na borda da piscina. Ela faz meu treino alimentar, me ajuda na parte de preparação mental, tem um olho clínico observando técnico. Nos últimos 15 metros eu me lembrei de uma dica dela, usei e deu super certo. Foram dois nadando a prova. Deu certo. Aquele bordão de que ninguém faz nada sozinho, acredito nele mais que nunca — desabafou.

Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Bruno ainda dedicou a conquista ao treinador Brett Hawk, ao ex-treinador Arilson Silva e a toda a equipe brasileira. A prova já está entre as disputas históricas do Mundial em piscina longa. O americano Caeleb Dressel venceu a aisputa com 21s15, para 15 minutos depois voltar à piscina e ganhar os 100m borboleta. O bronze dos 50m livre ficou com o britânico Benjamin Proud (21s43), que nas semifinais havia empatado com Bruno, com 21s60. Cesar Cielo continuou com a oitava posição em que entrou na disputa, pela marca de 21s83.

Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

- No começo já senti que a velocidade não saiu como eu gostaria e no final, pesou um pouco mais que nos outros dias, passar na apneia. Mas 50m é assim mesmo, alguns detalhes fazem toda a diferença para dar 20 centésimos a mais ou a menos. Não foi uma prova que gostei muito, essa final, mas estou contente de estar de novo no meio dos caras. O pódio foi bem rápido, 21s4 para pegar o bronze, deve ter sido o pódio mais apertado para pegar em Mundial. Agora é pensar temporada a temporada para buscar de novo meu 21s3, que ainda entra na briga por medalha. Gostei da minha participação, principalmente no revezamento. Nadei para 21s3 em 2012, então faz cinco anos que fiz um tempo que seria medalha aqui. Não estou exigindo de mim nada que não tenha feito antes, mas estou querendo primeiro chegar ao meu melhor de novo, para poder assim vislumbrar coisas novas. É uma nadada, uma vez que bater e der certo é a confiança que volta e o ciclo fica muito mais fácil de trabalhar. Por enquanto me questiono muito ainda. Estou esperando essa uma nadada me dar um pouco mais de confiança e força. Quero terminar o ano em forma, nadando rápido, não exigir tanto na performance em si, mas sim ter um semestre de exigir mais no treinamento e experimentar coisas novas – explicou Cesar Cielo.

Guilherme Guido conseguiu nadar os 50m costas na casa de 24 segundos. Ele fez 24s91 e terminou a prova como segundo reserva, na 12ª posição.

— O tempo que eu previa entrou, mas teria que ter nadado meu melhor. Foi quase, meu melhor é 24s7 e fiz 24s91, mas como já disse, eu nado os 50m como passagem da prova de 100. Foi muito bom pegar minha primeira final (nos 100m Costas), sentir essa experiência, e estar entre os primeiros do 100m. Acho que difícil a gente aparecer em cima da hora, então é começar desde o primeiro ano do ciclo olímpico entre os primeiros e foi isso que consegui, com o sétimo lugar nos 100m costas. Depois de todas as provas individuais estamos animados para o revezamento, mas vai depender de como eu abrir. Tenho essa responsabilidade, sei disso. Já estou acostumado e tenho que entregar no bolo. – Guilherme Guido.

Revezamento encerra para o Brasil em Budapeste — Neste domingo, 30/07, será o último dia do Mundial dos Esportes Aquáticos. O Brasil estará nas provas femininas e masculinas de 400m medley com Joanna Maranhão e Brandonn Almeida; e também na disputa de 4x100m medley masculino. A equipe que entrará para tentar classificação na parte da manhã será Guilherme Guido,Felipe Lima, Henrique Martins e Bruno Fratus. Caso consiga a classificação o time para a final pode mudar com João Gomes Jr no estilo peito e Marcelo Chierighini no livre.

www.cbda.org.br
Eliana Alves Cruz/Mariana de Sá/Souza Santos

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