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Triatlo: Entrevista com Marco Antônio La Porta Júnior

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Divulgação/CBTri
Marco Antônio La Porta Júnior acredita que o Brasil chegará aos Jogos Olímpicos de 2016 com chances de brigar por medalhas no triatlo

Marco Antônio La Porta Júnior acredita que o Brasil chegará aos Jogos Olímpicos de 2016 com chances de brigar por medalhas no triatlo

Acompanhe a rica conversa com o diretor técnico da Confederação Brasileira de Triathlon e saiba como estão os planos da modalidade para os Jogos de 2016 e para a detecção de novos talentos no Brasil
Como está formada a Área Técnica da CBTri?

Trabalhamos todas as decisões em conjunto. A comissão técnica é formada por mim e pelo Sérgio Santos, técnico do Projeto Rio Maior 2016. Na coordenação técnica fica o Prof. Dr. Antônio Carlos Gomes, referência mundial em treinamento desportivo. Ainda participam com opiniões, sempre pertinentes, o Rodrigo Milazzo, que trabalha na formação de treinadores da CBTri, PATCO (Confederação Pan-Americana de Triatlo) e ITU (União Internacional de Triatlo, em inglês), além do Jorge Cammarata, técnico da equipe das Forças Armadas que hoje é 100% constituída por atletas da Seleção Brasileira. Todas as nossas decisões ao final são aprovadas pela Presidência e pela Vice Presidência, que controlam o orçamento geral da Confederação. Eu fico feliz que, com um grupo de qualidade que temos, as nossas decisões têm sido bem pouco questionadas, pois as equipes que estão nos representando são sempre o que temos de melhor no Brasil.

Quais são as metas para os Jogos Olímpicos 2016?

Trabalhamos alinhados com os objetivos estratégicos do Comitê Olímpico Brasileiro. O foco é nos resultados e não na participação de atletas. Não prometemos medalhas, prometemos que vamos chegar em condições de ganhá-las. Trabalhamos para chegar aos Jogos Olímpicos competitivos, ou seja, os atletas precisam ter resultados regulares, que projetem que eles estarão na disputa. Se vão ganhar medalha ou não, se serão Top 10, isso vai depender do cenário que a prova apresentar. Sabemos que no Triatlo isso é comum e que nem sempre o favorito vence. Temos que chegar competitivos, isso é importante.

Quantos atletas acha que o Brasil pode ter no Rio 2016?

Acreditamos na classificação de dois atletas no masculino e de duas atletas no feminino. Esta é uma meta realística, mas sabemos que, se tudo correr bem, podemos conseguir as três vagas. Para isso precisamos ter os três atletas classificados entre os 40 primeiros do ranking olímpico. Isso não é fácil, mas vamos trabalhar.

Como foi feito o planejamento dos atletas da Seleção Brasileira para este ciclo olímpico?

Dividimos o grupo em dois. De um lado estão aqueles que temos certeza de que, salvo motivo de lesão, estarão nos Jogos Olímpicos de 2016. O foco para estes é a preparação. Eles vão competir basicamente nas grandes competições, World Triathlon Series, onde o nível competitivo é igual ou superior ao que vão encontrar no Rio em 2016. Assim, eles têm tempo para treinar bastante, corrigir as deficiências, aperfeiçoar as qualidades e vão chegar competitivos no final do ciclo. No segundo grupo estão aqueles que vão buscar a classificação ainda. O foco aqui será nas World Cups, Campeonatos Panamericanos e uma ou outra WTS (World Triathlon Series ) que julguemos apropriada.

Em relação aos Jogos Pan-Americanos de 2015, em Toronto, como está o planejamento? Qual é a meta de medalhas?

Queremos, no mínimo, igualar o resultado de 2011, quando tivemos um ouro e um bronze. Para isso, queremos levar a equipe mais forte possível e a equipe mais forte é traduzida através de resultados nas competições mais fortes.

Como serão formadas as equipes?

Estamos analisando o ano de 2014 para, no final do ano, estabelecermos os critérios de definição da equipe. Depois, faremos a mesma preparação que fizemos em 2011, com trabalho na altitude com um grupo numeroso no qual todos, mesmo aqueles que não irão competir nos Jogos, se ajudem. Vamos chegar forte.

Como a CBTri vem trabalhando na detecção e desenvolvimento de talentos?

Quando, em 2009, contratamos o Prof Antônio Carlos, e, em 2010, o Sérgio Santos, decidimos que o primeiro passo seria dar atenção ao alto rendimento e fazer com que o atleta se sentisse apoiado pela CBTri. Investimos pesado em treinamentos, participação em competições, dando oportunidades a um número aproximado de 30 a 35 atletas. O principal passo disso foi o nosso Centro de Treinamento, em Rio Maior (Portugal). O investimento foi pesado e, com isso, deixamos um pouco de lado a nossa renovação. O processo foi consciente. Sabíamos dos prejuízos e eles aparecem agora. Basta ver o número de atletas que temos hoje nas Seleções Juniores e Sub-23. Agora que a Elite está arrumada, vamos voltar a trabalhar com mais atenção no processo de detecção e desenvolvimento de talentos. Já começamos isso com a seletiva em Garopaba, em Santa Catarina, no início do ano e com o treinamento de jovens em Rio Maior (esse ano já foram três), e pretendemos ampliar com a realização, este ano ainda, de um Training Camp, que vai ser em Manaus; e com a implantação de um primeiro CT para jovens, que será também em Manaus, onde a Federação local faz um trabalho muito bom, em coordenação com a CBTri. Para 2015, vamos ampliar ainda mais, com a realização de mais dois Training Camps, a continuidade de intercâmbio em Rio Maior, assim como a integração no projeto de Rio Maior de atletas juniores e a busca da formação de novos CTs, em outras regiões.

Como o Encontro de Técnicos Formadores, promovido pelo COB, ajuda nisso?

Foi fundamental, porque nos permitiu passar um fim de semana discutindo com nossos técnicos de triatlo e com técnicos de outras modalidades as diversas formas de trabalho para a detecção e desenvolvimento de talentos. Experiências foram trocadas e o Comitê Olímpico Brasileiro têm nos ajudado muito nesse processo, não só com apoio financeiro, mas com oportunidades como essas em Saquarema, que vão se repetir ao longo de todo o processo.

Qual o papel das federações nesse processo?

Fundamental. O Brasil é muito grande. Infelizmente a CBTri não tem recursos para gerir tudo sozinha. As federações precisam ajudar e isso pode ser feito de várias formas, com programa de detecção de talentos, com formação de treinadores, com competições para crianças e apoio para desenvolvimento de jovens talentos, com competições fortes. É necessária criatividade, buscando apoio com os governos locais e com empresas da região. Já temos federações que fazem isso e que, por isso, cada uma à sua maneira, vêm revelando atletas.

Como você observa a renovação na área de treinadores de tritlo?

O nosso Programa de Capacitação de Treinadores, que é um programa modelo para outras confederações, já está completando dez anos e os frutos estão sendo colhidos. Já chegamos ao segundo curso de nível III, que é a pós-graduação em treinamento de triatlo e, com isso, os novos treinadores estão surgindo e apresentando trabalho de qualidade. Os quatro treinadores que estiveram conosco em Saquarema mostraram isso. Todos eles estudam e trabalham não só com as categorias de idade, mas também com o alto rendimento. Isso é importante. Eles agora vão atuar como gestores do processo de detecção de talentos em suas regiões. Isso vai facilitar muito o trabalho da CBTri. Além disso, estamos tentando resgatar nossos triatletas olímpicos, que possuem toda a experiência do circuito internacional, para trabalhar com nossos jovens talentos. O Leandro Macedo esteve conosco em Saquarema e é parte integrante desse processo.

www.brasil2016.gov.br
Confederação Brasileira de Triathlon

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