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Nova geração do boxe luta para manter tradição olímpica

36.V

Washington Alves/Exemplus/COB
Wanderson Oliveira, o Sugar, e Beatriz Ferreira conquistam o ouro em Cochabamba 2018

Wanderson Oliveira, o Sugar, e Beatriz Ferreira conquistam o ouro em Cochabamba 2018

O boxe brasileiro tem mostrado renovação constante nos dois últimos ciclos olímpicos. Se nos Jogos de Londres 2012 o Brasil conquistou uma medalha de prata com Esquiva Falcão e os bronzes de Yamaguchi Falcão e Adriana Araújo, no Rio 2016, foi a vez do ouro de Robson Conceição. Nos Jogos Sul-americanos Cochabamba 2018 a nova geração do boxe brasileiro começa a mostrar a cara para chegar aos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 em condições de seguir no pódio.

Ao todo, o Time Brasil conquistou seis medalhas na modalidade: dois ouros com Wanderson de Oliveira (-60kg) e Beatriz Ferreira (-60kg); a prata de Luis Fernando da Silva (-69kg); e os três bronzes de Graziele de Souza (-51kg), Hebert Souza (75kg) e Kleverton de Melo (85kg). As medalhas em Cochabamba são frutos de um trabalho de renovação constante feito pela Confederação Brasileira de Boxe com apoio do Comitê Olímpico do Brasil visando ao longo prazo, que já começa a dar resultado.

O Brasil trouxe à Bolívia seis homens, de dez possíveis, e duas meninas. A média de idade dos homens é de apenas 21 anos. “A gente tem uma geração muito talentosa chegando. O trabalho está sendo feito visando os Jogos Olímpicos de Paris 2024, mas o Wanderson de Oliveira e Beatriz Ferreira estão pulando etapas com possibilidades de surpreender em Tóquio 2020”, disse o treinador da seleção brasileira Leonardo Macedo.

Não por acaso os dois atletas citados pelo treinador conquistaram a medalha de ouro nesta quarta-feira, dia 6, último dia de competições da modalidade. “O Wanderson é muito habilidoso e tem uma pegada muito forte pra sua categoria. Ele vem se destacando e já estamos trabalhando para que ele chegue bem em Tóquio”, explicou Leonardo.

Morador do Complexo da Maré, comunidade carente do Rio de Janeiro, Wanderson é apontado como um dos maiores talentos da nova geração do boxe brasileiro. O atleta venceu com facilidade os três confrontos da categoria -60kg em Cochabamba. Na final, venceu por decisão unanime ao venezuelano Luis Angel Agudelo. “Eu vim muito focado para vencer, só queria saber do ouro. Me dediquei muito e trabalhei o psicológico para conquistar o ouro. E deu certo”, afirmou o pugilista.

Wanderson tem 21 anos e começou no boxe com 12. “Eu tinha um amigo que tirava onda com a gente lá na comunidade só porque fazia boxe. Eu entrei na academia pra parar com a marra dele. Mas ele saiu e eu continuei”, explicou, com simplicidade. “O boxe representa muita coisa na minha vida, mudou minha mente, me fez amadurecer.”

Wanderson é o mais novo de cinco irmãos. A mãe, Sandra Regina de Oliveira, é a maior incentivadora. Sempre que o filho luta no Rio, dona Regina está lá. “Ela me manda manter a guarda alta. Ela é engraçada, a minha mãe. Me apoia muito. Amo muito a minha mãe”, disse o lutador. “Hoje eu estou dando essa alegria pra ela”, afirmou, com sorriso orgulhoso nos lábios.

Wanderson é conhecido no meio do boxe como ‘Sugar’, em referência ao lendário Sugar Ray Leonard, americano campeão olímpico em Montreal 76 e Mundial no final dos anos 70. “Eu adoro ver as lutas do Sugar Ray na internet. Quando era mais novo até imitava uns movimentos dele”, disse o Wanderson, que agora tem outro ídolo, o brasileiro medalhista de ouro nos Jogos Olímpicos Rio 2016 Robson Conceição. Toda essa geração é muito grata ao Robson. Ele nos mostrou que é possível chegar ao ouro olímpico”, disse o campeão em Cochabamba.

Os Jogos Sul-americanos Cochabamba 2018 serão realizados até a próxima sexta-feira, dia 8, na Bolívia.

www.cob.org.br
Comitê Olímpico do Brasil

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