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Huertas se apresenta à seleção com fome de bola: "Estava com saudade de vestir essa camisa"

64.V

Divulgação CBB
Marcelinho é, ao lado de Varejão, o único remanescente do grupo base do Brasil nos últimos três Mundiais e dois Jogos Olímpicos

Marcelinho é, ao lado de Varejão, o único remanescente do grupo base do Brasil nos últimos três Mundiais e dois Jogos Olímpicos

No dia em que Rafa Luz foi cortado e soube que não viajaria com seus companheiros para os jogos válidos pela terceira janela da classificatória das Américas para a Copa do Mundo FIBA 2019, Marcelinho Huertas fez seu primeiro treino com a seleção brasileira masculina na Arena Concórdia, em Campinas (SP). Vice-campeão da Liga ACB com o Baskonia, o experiente armador de 35 anos se apresentou ao técnico Aleksandar Petrovic no domingo à noite, lamentou não ter participado das janelas anteriores e mostrou a mesma motivação da primeira convocação:

- Já estava com saudade de vestir essa camisa. A seleção sempre me trouxe muita alegria e um prazer enorme. Infelizmente, com esse formato novo de classificação para a Copa do Mundo, as janelas aconteceram durante a temporada, o que impede os times de liberarem seus jogadores, por isso não pude vir nas janelas anteriores -, lamentou Huertas.

Ainda assim, o jogador deixou claro que gostou do novo formato:

- Gostei, é um formato bom, diferente e que te dá a chance de jogar mais no seu país e ficar mais próximo do seu público. Isso acaba promovendo um pouco mais o esporte, além de permitir aos jogadores um descanso a mais durante as férias dos clubes. Antigamente vínhamos disputar uma Copa América e ficávamos concentrados de 30 a 40 dias, mais os 20 dias de competição. Nos dois meses de férias passávamos praticamente mais de um mês e meio com a Seleção, o que acabava sendo desgastante. Vira uma bola de neve e o jogador não tem o período de recuperação, que o corpo precisa. Essa mudança favorece tanto o jogador quanto o torcedor. É preciso acertar a questão dos clubes.

Apesar de ter feito apenas um treino sob o comando do novo treinador, Huertas disse que conhece o croata há bastante tempo e as primeiras impressões dentro de quadra foram as melhores possíveis.

- Eu conheço o Petrovic de longa data, tive a oportunidade de conversar com ele algumas vezes e o encontrei também nas Olimpíadas, quando batemos um papo após os Jogos. Tinha ouvido do pessoal que é um cara nota 10. Hoje deu para ver que é um técnico exigente, mas que tem um perfil que todos gostam. É um cara fácil de lidar, brincalhão, leve e isso faz com que os jogadores não se sintam pressionados ou que os treinamentos se tornem chatos apesar de existir a cobrança. Pode ser até que ele pegue no pé, mas no fim das contas sabemos que podemos oferecer um rendimento melhor trabalhando num ambiente feliz e relaxado. Todo mundo que participou das janelas anteriores falou mil maravilhas sobre ele e pelo visto eu também terei essa opinião - elogiou o camisa 9 da Seleção Brasileira.

Há mais de uma década servindo à Seleção, Marcelinho Huertas é, ao lado de Anderson Varejão, o único remanescente do grupo que fez parte da base que defendeu o Brasil nos últimos três Mundiais e dois Jogos Olímpicos.

- É um processo natural, os anos vão passando, os jogadores vão ficando pelo caminho e acaba mudando a geração que foi a base da Seleção durante 10 anos ou até mais. Marcelinho Machado, Tiago, o próprio Gui, que já disse que não vai mais jogar pela Seleção, e agora a molecada chegando, eu e Anderson, que somos mais velhos aqui. É uma geração nova que vem com fome, com menos experiência internacional, obviamente, já que a maioria joga no Brasil, com exceção do Benite, que joga no exterior e está há alguns anos na Seleção. Sempre é bom ter uma mistura da experiência, de jogadores com bagagem, com uma juventude que chega com fome de bola. Temos uma Seleção de jovens talentos e com uma projeção muito boa - explicou o armador.

Independentemente de quem serão seus companheiros, Huertas tem consciência de que a concorrência será dura daqui para frente. Enquanto Petrovic ainda tem tempo para observar e analisar todas as opções antes de definir os 12 jogadores que defenderão o Brasil ano que vem na Copa do Mundo da China, o armador sabe que não terá moleza na sua reestreia pela Seleção.

Sem defender o país desde as Olimpíadas de 2016, Huertas espera um duelo complicado diante da Venezuela, na próxima sexta-feira (29), em Caracas. Segundo o jogador do Baskonia, o adversário se renovou desde os Jogos do Rio de Janeiro e terá uma torcida apaixonada a seu favor.

- São esses momentos que o atleta gosta de viver, esses desafios. Sabemos da importância desse jogo já que levamos os resultados para a próxima fase. Passar com um recorde invicto seria uma grande vantagem em relação às seleções que vamos enfrentar. A Venezuela está com um time diferente, renovado, alguns jogadores talvez não estejam nessa janela, mas isso não tira a sua força. Não podemos menosprezá-los, vamos jogar em Caracas, com o público em cima, pressionando. Eles vão entrar com confiança, é um time agressivo, muito físico e vamos ter que saber contornar tudo isso. Vamos nos preparar forte para que não tenhamos um escorregão na nossa campanha - alertou Huertas, que tem mais um ano de contrato com o Baskonia, da Espanha.

www.cob.org.br
Comitê Olímpico do Brasil

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