Há 10 anos, Mayra Aguiar fazia história no Rio e se tornava a primeira brasileira com duas medalhas olímpicas individuais

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Em 11 de agosto de 2016, a gaúcha conquistou o bronze na categoria até 78kg e escreveu mais um capítulo histórico do judô brasileiro nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro

Há exatos dez anos, Mayra Aguiar escreveu mais uma página histórica do esporte brasileiro. Aos 25 anos, a judoca gaúcha conquistou a medalha de bronze na categoria até 78kg nos Jogos Olímpicos Rio 2016 e se tornou a primeira mulher brasileira a conquistar duas medalhas olímpicas em uma prova individual.

A conquista veio quatro anos depois do bronze obtido nos Jogos de Londres 2012, confirmando Mayra entre as grandes protagonistas da história olímpica do Brasil. A medalha no Rio também reforçou uma das principais características que marcaram sua carreira: a capacidade de superar adversidades, enfrentar momentos difíceis e voltar ainda mais forte.

Naquele 11 de agosto, Mayra chegou ao tatame da Arena Carioca 2 carregando grandes expectativas. Era uma das principais candidatas ao pódio e, diante da torcida brasileira, confirmou seu lugar entre as melhores do mundo.

O bronze conquistado no Rio seria apenas mais um capítulo de uma trajetória extraordinária. Mayra encerrou a carreira com três medalhas olímpicas, sete medalhas em Campeonatos Mundiais — sendo três títulos — e quatro medalhas em Jogos Pan-Americanos, incluindo o ouro em Lima 2019. A CBJ reconhece a judoca como a maior medalhista olímpica e mundial da história do judô brasileiro.

10 anos do bronze olímpico de Mayra Aguiar a primeira brasileira com duas medalhas olímpicas individuais relembre a campanha da conquista nos Jogos Olímpicos do Rio 2016
Crédito: Marcio Rodrigues/MPIX/CBJ

Rio 2016: uma campanha marcada por superação

A campanha olímpica de Mayra Aguiar começou nas oitavas de final, diante da australiana Miranda Giambelli, então 18ª colocada do ranking mundial.

A brasileira precisou de apenas 39 segundos para avançar. Mayra abriu vantagem rapidamente ao aplicar uma técnica que lhe rendeu um waza-ari. Na sequência, levou a adversária para o solo e conseguiu a imobilização.

Nas arquibancadas da Arena Carioca, a torcida brasileira acompanhou atentamente a contagem dos 15 segundos até a confirmação da vitória.

Nas quartas de final, o desafio foi contra a alemã Laura Malzahn, então sétima colocada do ranking mundial.

O confronto foi equilibrado do início ao fim. Nenhuma das duas conseguiu pontuar durante o tempo regulamentar, e a vaga na semifinal acabou sendo definida pelas penalidades. Mayra avançou depois que a alemã recebeu um shido por falta de combatividade.

Se a punição da adversária foi motivo de comemoração para a torcida brasileira nas quartas de final, a semifinal trouxe uma enorme frustração.

Uma semifinal decidida nos detalhes

Do outro lado do tatame estava a francesa Audrey Tcheuméo, uma das principais adversárias de Mayra na categoria até 78kg.

O duelo foi marcado pelo equilíbrio, pelo estudo e pela cautela das duas judocas. Em uma luta na qual cada detalhe poderia fazer a diferença, as penalidades acabaram determinando o resultado.

Mayra recebeu o primeiro shido ainda na primeira metade do combate, mas conseguiu equilibrar a disputa. Posteriormente, porém, recebeu uma nova punição por um movimento considerado irregular.

O segundo shido foi decisivo. Tcheuméo avançou para a final, enquanto Mayra precisou rapidamente controlar a frustração e se preparar para a disputa pela medalha de bronze.

E o desafio seria enorme: a brasileira teria apenas cerca de 20 minutos para se recuperar física e mentalmente antes de voltar ao tatame.

O bronze que virou ouro para a história

Na disputa pelo bronze, Mayra enfrentou a cubana Yalennis Castillo.

Desde os primeiros movimentos, a brasileira demonstrou que havia deixado para trás a derrota na semifinal. Determinada, controlou o combate, conseguiu um yuko, tentou uma imobilização e ainda provocou uma punição da adversária.

Ao final dos quatro minutos regulamentares, veio a confirmação.

Mayra Aguiar era medalhista olímpica pela segunda vez.

O bronze do Rio de Janeiro tinha um significado especial. Não era apenas mais uma medalha para o judô brasileiro. Era a confirmação de que Mayra havia alcançado um feito inédito entre as mulheres brasileiras em provas individuais: duas medalhas olímpicas em duas edições consecutivas dos Jogos.

Kayla posa entre Gemma Gibbons (esq.), Mayra Aguiar e Audrey Tcheumeo (dir.) no pódio
Crédito: AFP

Londres 2012: o primeiro pódio olímpico

Quatro anos antes, aos 20 anos, Mayra havia conquistado sua primeira medalha olímpica nos Jogos de Londres 2012.

A campanha também foi marcada pela superação.

Depois da semifinal, a judoca sofreu uma lesão e precisou disputar a luta pelo bronze com o braço dormente. Mesmo diante da dificuldade e da dor, Mayra conseguiu vencer e garantiu seu primeiro pódio olímpico.

O bronze em Londres foi o início de uma sequência que entraria para a história do esporte brasileiro.

Mayra Aguiar é bronze nas Olimpíadas de Londres 2012
Crédito: Marcio Rodrigues/MPIX/CBJ

Tóquio 2020: a terceira medalha olímpica

Se Londres revelou uma grande campeã e o Rio consolidou seu nome na história, os Jogos de Tóquio 2020 transformaram Mayra em uma verdadeira lenda olímpica.

A brasileira conquistou novamente a medalha de bronze na categoria até 78kg e chegou à sua terceira medalha olímpica individual.

Com o resultado, Mayra se tornou a primeira — e até hoje única — brasileira a conquistar medalhas em uma prova individual em três edições dos Jogos Olímpicos.

Na disputa pelo bronze, a judoca adotou uma postura paciente, estudou os movimentos da adversária e soube esperar o momento certo para atacar.

Antes de completar um minuto de combate, as duas atletas receberam shidos por falta de combatividade. Pouco depois, Mayra levou a adversária ao solo e conseguiu a imobilização.

Após manter o controle durante o tempo necessário, confirmou a vitória e garantiu mais uma medalha histórica.

A CBJ registra os três bronzes olímpicos de Mayra — Londres 2012, Rio 2016 e Tóquio 2020 — como parte de um legado que a colocou entre as maiores judocas brasileiras de todos os tempos.

Títulos mundiais e uma conquista inédita em Tóquio

A trajetória de Mayra não se resume aos Jogos Olímpicos.

Em 2022, a judoca conquistou seu terceiro título mundial e terminou a temporada na liderança do ranking mundial da categoria até 78kg.

No ano seguinte, alcançou mais uma marca inédita para o judô brasileiro.

Em dezembro de 2023, Mayra conquistou o ouro no Grand Slam de Tóquio, tornando-se a primeira brasileira campeã da competição em sua era moderna. Na final, derrotou a então campeã mundial Inbar Lanir, de Israel.

A conquista em Tóquio foi especialmente simbólica. Foi no Japão, país considerado o berço do judô, que Mayra voltou a demonstrar sua força e sua capacidade de fazer história.

Paris 2024: o último capítulo olímpico

Em Paris 2024, Mayra participou de sua quinta edição consecutiva dos Jogos Olímpicos, encerrando um ciclo iniciado em Pequim 2008.

A brasileira acabou eliminada nas oitavas de final da categoria até 78kg, encerrando sua participação olímpica. Ainda assim, sua marca já estava estabelecida: três medalhas olímpicas em três edições diferentes dos Jogos.

Foram cinco ciclos olímpicos consecutivos defendendo o Brasil, de Pequim 2008 a Paris 2024 — uma demonstração impressionante de longevidade, dedicação e alto rendimento.

O fim de uma carreira histórica

Em 26 de dezembro de 2024, Mayra Aguiar anunciou oficialmente o encerramento de sua carreira competitiva.

Aos 33 anos, depois de quase duas décadas dedicadas ao esporte de alto rendimento, a judoca decidiu deixar os tatames após uma trajetória construída com títulos, medalhas, superação e momentos inesquecíveis para o esporte brasileiro.

Ao anunciar sua despedida, Mayra relembrou a intensidade de sua trajetória desde que entrou para a Seleção Brasileira principal ainda adolescente.

“Vivi muito intensamente o judô desde os meus 14 anos, quando entrei pela primeira vez na Seleção Brasileira principal.”

A judoca também destacou o peso de quase duas décadas de viagens, treinamentos intensos e lesões.

“São quase 20 anos no esporte de alto rendimento, suportando viagens, lesões e uma rotina de treinos muito intensa.”

E concluiu anunciando que era hora de descansar e pensar no futuro.

Um legado que ultrapassa as medalhas

A história de Mayra Aguiar não pode ser contada apenas pelos números.

São três medalhas olímpicas, três títulos mundiais, sete medalhas em Mundiais, quatro medalhas em Jogos Pan-Americanos e uma conquista inédita no Grand Slam de Tóquio.

Mas seu maior legado talvez esteja na maneira como construiu essa trajetória.

Mayra caiu, sofreu lesões, enfrentou derrotas, voltou ao tatame e continuou competindo entre as melhores do mundo. Em cada ciclo olímpico, encontrou forças para recomeçar.

Em Londres, conquistou o primeiro bronze.

No Rio, fez história ao se tornar a primeira brasileira com duas medalhas olímpicas individuais.

Em Tóquio, alcançou a terceira medalha e tornou-se a única brasileira, até hoje, a subir ao pódio individual em três edições dos Jogos Olímpicos.

E, em Paris, encerrou sua jornada olímpica depois de cinco participações.

Mais do que uma campeã, Mayra Aguiar tornou-se um símbolo de perseverança, longevidade e excelência do judô brasileiro.

Dez anos depois daquela conquista no Rio de Janeiro, a medalha de bronze continua brilhando — não apenas no peito de Mayra, mas na memória de todos que acompanharam uma das trajetórias mais marcantes do esporte brasileiro.

Mayra Aguiar, campeã dentro e fora do tatame. Uma história que merece ser lembrada, valorizada e contada às novas gerações.

A Confederação Brasileira de Judô conta com o patrocínio oficial do BNDES e com o apoio institucional do Comitê Olímpico do Brasil.

Fonte: CBJ

Reflexão:

“Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.
E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente.”

João 6:68,69

Associação Desportiva Viva Saudável (ADVS) atua em diversos municípios do Estado do Rio de Janeiro, promovendo o ensino e a prática do judô com foco na formação esportiva, educacional e social de seus alunos. A entidade é devidamente registrada na Federação de Judô do Estado do Rio de Janeiro (FJERJ) e na Confederação Brasileira de Judô (CBJ), garantindo que todas as suas atividades sigam os padrões oficiais e as diretrizes das instituições que regulamentam o esporte no país. 

Locais de treinamentos da ADVS:

Campos dos Goytacazes:

  • Associação Desportiva Viva Saudável (ADVS), professores Arthur Souza do Carmo e Thiago Freitas de Oliveira;
  • Centro Educacional Nossa Senhora Auxiliadora (CENSA), professores Francisco de Alvarenga Leandro e Luís Cezar Ribeiro;
  • Colégio Eucarístico; professor Manoel Leandro Neto
  • Judô Clube Campos dos Goytacazes (Tênis Club de Campos dos Goytacazes), professores Alexandre Souza Viana, Francisco de Alvarenga Leandro e Manoel Leandro;
  • Projeto IDE Missiones (Donana), professor Alexandre Souza Viana;
  • Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), professores Manoel Leandro Neto e Paulo Maia.

Itaperuna:

  • Academia Cemedfit, professores Wanderley e Viviane Diniz
  • Academia Lifecenter, professores Wanderley e Pedro Bastos
  • IFF Itaperuna, professores Rodrigo Martins/ Bernardo Boechat
  • Itamed, professor Caio Julião
  • Judô Clube Itaperuna (JCITA), professores Wanderley Cordeiro de Lima e Bernardo Boechat
  • Missão em Obras, professores Viviane Diniz e Marquinho e Pastora Juliana
  • Projeto Esporte Ativo, professores Magno Barbeiro/ Bernardo Boechat/ Pedro Bastos.

Varre-Sai

  • Judô Clube Varre Sai, professora Alessandra de Fátima Azevedo Vargas

Fonte: Francisco de Alvarenga Leandro

Mayra Aguiar é bronze nas Olimpíadas de Londres 2012
Crédito: Marcio Rodrigues/MPIX/CBJ

Kayla posa entre Gemma Gibbons (esq.), Mayra Aguiar e Audrey Tcheumeo (dir.) no pódio
Crédito: AFP


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