Peso-pesado brasileiro superou uma grave lesão, repetiu o pódio de Londres 2012 e conquistou sua segunda medalha olímpica diante da torcida brasileira

Há exatos dez anos, em 12 de agosto de 2016, Rafael Silva, o “Baby”, escreveu mais um capítulo importante da história do judô brasileiro. Aos 29 anos, o peso-pesado conquistou a medalha de bronze na categoria acima de 100kg nos Jogos Olímpicos Rio 2016, repetindo o terceiro lugar obtido quatro anos antes, em Londres.
O resultado garantiu ao brasileiro sua segunda medalha olímpica individual e confirmou sua capacidade de permanecer entre os melhores do mundo mesmo depois de enfrentar um dos momentos mais difíceis de sua carreira.
A campanha no Rio teve um significado ainda maior porque Rafael chegou aos Jogos após superar uma grave lesão sofrida no ano anterior. Em junho de 2015, durante um treinamento de força, o judoca lesionou o tendão do músculo peitoral maior direito e precisou passar por cirurgia. O problema o afastou dos Jogos Pan-Americanos de Toronto e do Campeonato Mundial de Astana, além de tirá-lo das competições durante boa parte do segundo semestre.
O retorno aconteceu somente no início de 2016, e Baby precisou recuperar ritmo, confiança e espaço na disputa interna pela vaga olímpica com David Moura. Depois de um período difícil, conseguiu voltar ao alto nível e garantiu seu lugar na equipe brasileira que disputaria os Jogos em casa.
O caminho de Rafael Silva até o pódio
Na primeira luta, Rafael enfrentou o hondurenho Ramón Pileta. O brasileiro controlou o combate e venceu por ippon, iniciando sua caminhada olímpica com autoridade.
Nas oitavas de final, o adversário foi o russo Renat Saidov. Novamente, Baby conseguiu impor seu judô e encerrou o combate com outro ippon, avançando para a fase seguinte.
Nas quartas de final, porém, veio um dos maiores desafios da competição: o francês Teddy Riner, então campeão olímpico, dono de oito títulos mundiais e considerado o grande favorito ao ouro na categoria.
Rafael fez um combate duro diante do gigante francês, mas acabou superado por waza-ari, resultado que o levou para a repescagem. Riner avançou posteriormente até a conquista da medalha de ouro.
Na repescagem, Baby encontrou o holandês Roy Meyer. O combate foi equilibrado e decidido pelas punições. Rafael recebeu um shido, enquanto Meyer foi penalizado duas vezes. Com a vantagem disciplinar, o brasileiro garantiu a vitória e voltou a ter a oportunidade de disputar uma medalha olímpica.
O bronze olímpico diante da torcida brasileira
Na luta que valia o pódio, Rafael Silva enfrentou o experiente Abdullo Tangriev, do Uzbequistão, medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008.
O confronto foi marcado pelo equilíbrio e pela cautela característica dos grandes combates entre pesos-pesados. Rafael, porém, encontrou o momento certo para atacar.
O brasileiro marcou um yuko e sustentou a vantagem até o fim, garantindo a vitória e a medalha de bronze na Arena Carioca 2.
A conquista teve um sabor especial. Além de repetir o resultado de Londres 2012, Baby subiu novamente ao pódio olímpico diante da torcida brasileira, que fez uma grande festa nas arquibancadas.
“Em casa é bom demais”, resumiu Rafael após a conquista, destacando a força que recebeu dos torcedores durante a competição.
Com o resultado, Rafael Silva tornou-se um dos brasileiros com duas medalhas olímpicas no judô, ao lado de nomes como Aurélio Miguel, Leandro Guilheiro, Tiago Camilo e Mayra Aguiar.
Um bronze que simbolizou superação
A medalha do Rio 2016 representou muito mais do que a repetição de um pódio olímpico.
Meses antes, Rafael ainda lutava para voltar aos tatames depois da cirurgia no peitoral. O período de recuperação foi longo e exigiu paciência para recuperar a condição física e, principalmente, a confiança necessária para competir novamente em alto nível.
O próprio judoca reconheceu, após a conquista, que havia sido uma caminhada de muita luta depois da lesão.
A medalha também foi importante para o judô masculino brasileiro. Rafael foi o único integrante da equipe masculina do Brasil a conquistar medalha no judô na Rio 2016. Naquela edição, o país terminou a participação da modalidade com três medalhas: ouro de Rafaela Silva e bronzes de Mayra Aguiar e Rafael Silva.
O legado depois do Rio 2016
O bronze conquistado em casa não foi o ponto final da carreira olímpica de Rafael Silva.
Depois do Rio, Baby continuou competindo em alto nível e voltou ao pódio do Campeonato Mundial em Budapeste 2017, com a medalha de bronze, e novamente em Doha 2023, também com o bronze na categoria acima de 100kg.
A medalha de Doha teve um significado especial. Aos 36 anos, Rafael tornou-se o judoca mais velho a conquistar uma medalha em um Campeonato Mundial, reforçando sua impressionante longevidade esportiva. Na campanha, derrotou o cubano Andy Granda, então campeão mundial, e o tajique Temur Rakhimov, que liderava o ranking mundial.
Mas ainda havia um último capítulo olímpico a ser escrito.
Paris 2024: a terceira medalha olímpica
Nos Jogos Olímpicos Paris 2024, Rafael Silva disputou sua quarta Olimpíada e viveu mais um momento histórico.
Aos 37 anos, Baby integrou a equipe brasileira na competição por equipes mistas e ajudou o Brasil a conquistar uma inédita medalha de bronze olímpica por equipes.
Na repescagem contra a Sérvia, Rafael entrou no lugar de Leonardo Gonçalves e venceu Aleksandar Kukolj em um combate decidido pelas punições, contribuindo para a vitória brasileira por 4 a 1 e para a classificação à disputa do bronze.
Na disputa pelo pódio, o Brasil derrotou a Itália e conquistou a medalha de bronze, encerrando uma das campanhas mais importantes da história do judô brasileiro em Jogos Olímpicos.
Com essa conquista, Rafael Silva chegou a três medalhas olímpicas: bronze em Londres 2012, bronze no Rio 2016 e bronze por equipes mistas em Paris 2024. A marca fez dele o primeiro homem do judô brasileiro a conquistar três medalhas olímpicas e o colocou ao lado de Mayra Aguiar como um dos maiores medalhistas olímpicos da modalidade no país.
Além disso, aos 37 anos, tornou-se o judoca mais velho da história a conquistar uma medalha olímpica, superando a marca que pertencia ao alemão Arthur Schnabel, medalhista em Los Angeles 1984.

Crédito: Miriam Jeske?COB
Dez anos depois, o bronze continua marcado na história
A medalha conquistada em 12 de agosto de 2016 representa um dos momentos mais marcantes da trajetória de Rafael Silva.
Foi o pódio que confirmou sua capacidade de superar uma grave lesão, recuperar-se em tempo de disputar os Jogos Olímpicos em casa e, mais uma vez, terminar uma Olimpíada entre os melhores do mundo.
O bronze do Rio foi a segunda medalha olímpica de Baby. Oito anos depois, em Paris, viria a terceira.
Entre lesões, recomeços, títulos mundiais, longevidade e quatro participações olímpicas, Rafael Silva construiu uma carreira que ultrapassa números e medalhas.
O “Baby” não apenas conquistou pódios. Ele construiu uma história de perseverança, longevidade e superação que já faz parte da história do judô brasileiro.
A Confederação Brasileira de Judô conta com o patrocínio oficial do BNDES e com o apoio institucional do Comitê Olímpico do Brasil.
Fonte: CBJ
Reflexão:
“Louvai ao Senhor. Ó minha alma, louva ao Senhor.
Louvarei ao Senhor durante a minha vida; cantarei louvores ao meu Deus enquanto eu for vivo.
Não confieis em príncipes, nem em filho de homem, em quem não há salvação.
Sai-lhe o espírito, volta para a terra; naquele mesmo dia perecem os seus pensamentos.
Bem-aventurado aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio, e cuja esperança está posta no Senhor seu Deus.
O que fez os céus e a terra, o mar e tudo quanto há neles, e o que guarda a verdade para sempre;
O que faz justiça aos oprimidos, o que dá pão aos famintos. O Senhor solta os encarcerados.
O Senhor abre os olhos aos cegos; o Senhor levanta os abatidos; o Senhor ama os justos;
O Senhor guarda os estrangeiros; sustém o órfão e a viúva, mas transtorna o caminho dos ímpios.
O Senhor reinará eternamente; o teu Deus, ó Sião, de geração em geração. Louvai ao Senhor.”
Salmos 146:1-10
A Associação Desportiva Viva Saudável (ADVS) atua em diversos municípios do Estado do Rio de Janeiro, promovendo o ensino e a prática do judô com foco na formação esportiva, educacional e social de seus alunos. A entidade é devidamente registrada na Federação de Judô do Estado do Rio de Janeiro (FJERJ) e na Confederação Brasileira de Judô (CBJ), garantindo que todas as suas atividades sigam os padrões oficiais e as diretrizes das instituições que regulamentam o esporte no país.
Locais de treinamentos da ADVS:
Campos dos Goytacazes:
- Associação Desportiva Viva Saudável (ADVS), professores Arthur Souza do Carmo e Thiago Freitas de Oliveira;
- Centro Educacional Nossa Senhora Auxiliadora (CENSA), professores Francisco de Alvarenga Leandro e Luís Cezar Ribeiro;
- Colégio Eucarístico; professor Manoel Leandro Neto
- Judô Clube Campos dos Goytacazes (Tênis Club de Campos dos Goytacazes), professores Alexandre Souza Viana, Francisco de Alvarenga Leandro e Manoel Leandro;
- Projeto IDE Missiones (Donana), professor Alexandre Souza Viana;
- Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), professores Manoel Leandro Neto e Paulo Maia.
Itaperuna:
- Academia Cemedfit, professores Wanderley e Viviane Diniz
- Academia Lifecenter, professores Wanderley e Pedro Bastos
- IFF Itaperuna, professores Rodrigo Martins/ Bernardo Boechat
- Itamed, professor Caio Julião
- Judô Clube Itaperuna (JCITA), professores Wanderley Cordeiro de Lima e Bernardo Boechat
- Missão em Obras, professores Viviane Diniz e Marquinho e Pastora Juliana
- Projeto Esporte Ativo, professores Magno Barbeiro/ Bernardo Boechat/ Pedro Bastos.
Varre-Sai
- Judô Clube Varre Sai, professora Alessandra de Fátima Azevedo Vargas
Fonte: Francisco de Alvarenga Leandro
